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segunda-feira, 12 de novembro de 2012
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Resenha: “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago
RESENHA
Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago
Por Andrei Venturini Martins
O
romancista, dramaturgo e poeta português José Saramago é autor de
diversas obras, mas em uma delas, denominada “Ensaio sobre a Cegueira”, o
autor instiga o leitor a “olhar a visão” e, para tal tarefa, é preciso
fechar os olhos, pois a visão não poderia julgar a si mesma. O autor
começa o livro com uma imagem ordinária: a cidade barulhenta, trânsito
pesado, pessoas disputando, a cada passo, um lugar na rua. Mas algo
incomum acontece com um dos carros parados no semáforo: “[...] logo se
notou que não tinham arrancado todos por igual. O primeiro da fila está
parado [...]”. (p. 11). Um morador destas megalópoles estranharia esta
cena, pois todos estão sempre apresados, adivinhando o momento do sinal
verde para sair em disparada: “[...] deve ser um problema mecânico
qualquer, o acelerador solto [...]”. (p. 11). Nada disso. O motorista
abre a porta e diz: “Estou cego”. (p. 11). Desesperado, em prantos, o
primeiro cego grita a mortalidade dos olhos. “[...] quem me diria,
quando saí de casa esta manhã, que estava para me acontecer uma
fatalidade como esta.” (p. 13). A possibilidade da desgraça é sempre um
fato na vida do outro, desde que este outro não seja “eu”. Foi assim que
aconteceu o primeiro caso de cegueira dos muitos que haveriam de
surgir.
Gradativamente uma espécie de mancha branca ocular (Cf. p. 11)
espalhava-se de maneira tão acentuada que o caso poderia tornar-se uma
“[...] catástrofe nacional [...]”. (p. 37). Eis o enredo da obra:
efetivamente, a catástrofe atingiu proporções nacionais! Diante disso,
além de descrever como o Estado em nome da humanidade pode tornar-se
desumano, colocando tais discursos demasiadamente humanistas sobre
suspeita, Saramago constrói uma antropologia do mal pelos personagens:
“É desta massa que nós fomos feitos, metade indiferença e metade de
ruindade”. (p. 40). O homem tem em sua estrutura o mal e, para
acompanhar isso, o autor cria uma personagem que funcionaria como espiã
da desgraça. Trata-se da esposa de um oftalmologista, homem honesto,
sincero e fiel à mulher de sua vida. Ela acompanhará todos os cegos
desafortunados que serão encarcerados em um manicómio. “Nesse caso,
resta o manicómio, Sim, senhor ministro, o manicómio, pois que seja o
manicómio, Aliás, a todas as luzes, é o que apresenta melhores
condições, porque, a par de estar murado em todo o seu perímetro, ainda
tem a vantagem de se compor de duas alas, uma que destinaremos aos cegos
propriamente ditos, outras para os suspeitos [...]”. (p. 46). Mentindo
sua cegueira, ela será a vista do leitor. Assim, outra “ordem”
se constrói dentro do manicómio: em pouco tempo os lugar terá as
primeiras discussões, brigas, roubo, racionalização da comida, lixo,
doenças, mortes, facções criminosas, armas, mulheres estupradas, etc. É
uma nova lógica. “Os cegos aprendem depressa a orientar-se [...]”. (p.
86). Mesmo no manicómio – e não é sem razão que Saramago enterra os
cegos neste local – a lógica do mal impera ao ponto de fazer a única
personagem que vê gritar: “O mundo está todo aqui dentro”. (p. 102). A
cegueira é transmitida nas mesmas proporções que o mal se espalha. Todos
pretendem se salvar, mas como cegos, pisam uns sobre os outros.
Todavia, neste caso há uma “desculpa”: quem pisa é cego. O ego cega o
cego! A única personagem que parece ter compaixão é a esposa do
oftalmologista: “[...] recordemos daqueles infelizes condenados que
antes ainda viam e agora não vêem, dos casais divididos e dos filhos
perdidos, dos lamentos dos pisados e atropelados, alguns duas e três
vezes, dos que andam à procura de seus queridos bens e não os encontram,
seria preciso ser-se de todo insensível para esquecer, como se nada
fosse, a aflição da pobre gente”. (p. 118). Como viver deste modo, senão
sendo cego? Quem suportaria sobreviver em tais circunstâncias? A
animalidade havia tomado conta: homens violentos buscando salvar-se a si
mesmos. Desta maneira, era preciso levantar uma norma. A máxima é fazer
de tudo para não vivermos como animais. (p. 119). Todos concordam e só o
esforço já concede esperança. Cumprir esta máxima é a nova vista dos
cegos, pois a voz é a vista de quem não vê.
Saramago cria um mundo de cegos para mostrar o que é o mundo
verdadeiramente. Assim dirá o oftalmologista cego: “[...] só num mundo
de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são [...]”. O mundo é um
palco de seres se devorando, de modo que quando o mundo mostra-se como
ele é todos ficam cegos. A esposa do oftalmologista é a única que
consegue entender isso: em um mundo de cegos que tem um olho está
condenado a ver as desgraças da existência. O medo destas visões cega.
(Cf. p. 131). O que resta é uma vida animal na qual os homens devem
fazer de tudo para não serem os animais que são. Lutam continuamente, no
entanto, a luta não passa de um outro modo de cegueira.
A obra “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago é um convite a
fazer-nos perceber nossa própria cegueira e, antes de tentar
recuperá-la, que respeitosamente reconheçamos o heroísmo da pobre esposa
do oftalmologista expresso no seguinte adágio:
“Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego [...]” (p. 135).
Livro: Ensaio sobre a Cegueira
Autor: José Saramago
Detalhes: Companhia da Letras, 1995, 312
POR QUE A MULHER DO MEDICO NÃO FICOU CEGA?
No universo ficcional, todas as personagens temem muito mais a revelação do que realmente são, do que a sensação de impotência causada pela cegueira. A exceção nesse universo é a mulher do médico: ela nada teme.
«A mulher do médico disse consigo mesma, Comportam-se como se temessem dar-se a conhecer um ao outro. Via-os crispados, tensos, de pescoço estendido como se farejassem algo, mas, curiosamente, as expressões eram semelhantes, um misto de ameaça e de medo, porém o medo de um não era o mesmo que o medo do outro, como também não o eram as ameaças.» (ESC, 49)
A babel de indivíduos de naturezas tão distintas quanto às suas origens dá à mulher do médico a impressão de que as distâncias que separam os seres no mundo exterior se encurtaram e a diversidade de problemas que afligem os homens se resumiu no instinto de sobrevivência. Essa impressão se resume a uma frase: «O mundo está todo aqui dentro» (ESC, 102).
A luta da mulher do médico para que os cegos da primeira camarata não se entreguem à barbárie não é uma apologia do passado, do «mundo civilizado» que conheciam, como pode parecer à primeira vista, mas o contraponto que há de evidenciar os sentimentos, as modulações de sentido, que nortearão as relações entre os cegos a partir da quarentena - a longa jornada do aprendizado da visão.
Aos cegos que encontra pelo caminho, a mulher do médico afirma: «Só estamos de passagem» (p.215). O escritor que passa a viver na casa do primeiro cego, igualmente, afirma: «Estou de passagem» (p.278). Esse alter-ego do autor que «inscreve palavras na brancura do papel», à guisa de sinais da sua passagem, diz à mulher do médico palavras que parecem ecoar do mundo externo à história narrada, onde autor, narrador e leitor transitam, como um apelo : «não se perca, não se deixe perder». Apelo este que se quer prolongamento da epígrafe: veja, não se deixe cegar.
POR QUE A MULHER DO MEDICO NÃO FICOU CEGA?
No universo ficcional, todas as personagens temem muito mais a revelação do que realmente são, do que a sensação de impotência causada pela cegueira. A exceção nesse universo é a mulher do médico: ela nada teme.
«A mulher do médico disse consigo mesma, Comportam-se como se temessem dar-se a conhecer um ao outro. Via-os crispados, tensos, de pescoço estendido como se farejassem algo, mas, curiosamente, as expressões eram semelhantes, um misto de ameaça e de medo, porém o medo de um não era o mesmo que o medo do outro, como também não o eram as ameaças.» (ESC, 49)
A babel de indivíduos de naturezas tão distintas quanto às suas origens dá à mulher do médico a impressão de que as distâncias que separam os seres no mundo exterior se encurtaram e a diversidade de problemas que afligem os homens se resumiu no instinto de sobrevivência. Essa impressão se resume a uma frase: «O mundo está todo aqui dentro» (ESC, 102).
A luta da mulher do médico para que os cegos da primeira camarata não se entreguem à barbárie não é uma apologia do passado, do «mundo civilizado» que conheciam, como pode parecer à primeira vista, mas o contraponto que há de evidenciar os sentimentos, as modulações de sentido, que nortearão as relações entre os cegos a partir da quarentena - a longa jornada do aprendizado da visão.
Aos cegos que encontra pelo caminho, a mulher do médico afirma: «Só estamos de passagem» (p.215). O escritor que passa a viver na casa do primeiro cego, igualmente, afirma: «Estou de passagem» (p.278). Esse alter-ego do autor que «inscreve palavras na brancura do papel», à guisa de sinais da sua passagem, diz à mulher do médico palavras que parecem ecoar do mundo externo à história narrada, onde autor, narrador e leitor transitam, como um apelo : «não se perca, não se deixe perder». Apelo este que se quer prolongamento da epígrafe: veja, não se deixe cegar.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Olha ai pessoal. As fotos da nossa Festa Julina no dia 07/07/2012
Foi muito boa e divertida.
Confiram!!!
Diretora Nádia apresentando a festa. |
Professor Maico e Professora Vilma fazendo leilão de uma torta. Eita povo animado!!! |
Fabiana e Roberto organizando o caixa. |
Essa turma é trabalhadeira, eihnnnn !!! |
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Barraca dos bolos e doces |
Barraca dos bolos e doces |
Professores: Pedro, Maico e Moacir na barraco do pão com linguiça. |
Apresentação do grupo de dança. |
Sr. Marcus, Prof.º Charles e Profª Margareth na barraca dos refrigerantes. |
Quadrilha do 1º e 2º ano matutino. |
Quadrilha do 1º e 2º ano matutino. |
Quadrilha do 1º e 2º ano vespertino. |
Quadrilha do 1º e 2º ano vespertino. |
Profº Maico e Profª Ana Valéria apresentando uma parte da festa. |
Dança do 3º ano matutino. Professora Karina. |
Dança do 3º ano matutino. Professora Karina. |
Dança do 3º ano matutino. Professora Karina. |
Dança do 3º e 4º ano vespertino. Professoras Mary Lúcia, Vilma e Profº. Moacir. |
Dança do 3º e 4º ano vespertino. Professoras Mary Lúcia, Vilma e Profº. Moacir. |
Dança do 3º e 4º ano vespertino. Professoras Mary Lúcia, Vilma e Profº. Moacir. |
AMOSTRA CIENTÍFICA E CULTURAL
REALIZADA NO DIA 30/11/2012
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